Sob a Redoma: comentários sobre o livro e a série

Publicado em 31 de janeiro de 2014

Paz do Senhor Meus Queridos!

 

Quero compartilhar com vocês minha opinião, sobre o livro e a série do aclamado escritor Stephen King, “Sob a Redoma” (Under the Dome). Stephen é muito conhecido por livros de terror, mas que também trás em sua biografia histórias memoráveis como “A Espera de um Milagre” e “Um Sonho de Liberdade” os dois transformados em filmes. No terror e suspense tem historias como “Cujo”, “Sonâmbulos”, “O Iluminado” e o meu favorito “Carrie, a Estranha”, tanto livro como filme. Ele também se aventurou no “Velho Oeste” (ou não) com a saga “Torre Negra”, este ainda estou lendo, não posso falar muito. Resumindo o cara é bom!

 

Mas o terror e suspense é mesmo um lugar que notoriamente sente-se a vontade, é o que ele escreve no café da manhã para começar o dia bem disposto, e com três frases em um guardanapo, transformando um dia de sol em nosso pior pesadelo. Mas “Sob a Redoma”, nome adotado no Brasil para o original “Under the Dome” segue nas mídias consagradas do autor, que já vendeu direitos por 1 dólar, com a justificativa que todos devem ter acesso a sua obra, vejo isso de forma louvável, e entra na lista de coisas bacanas que curto nele.

 

Não procurei informações para confirmar, mas já ouvi dizer que ele é ateu e alguns dizem que ele é espiritualista, não sei, mas é fato que sua obra trata de assuntos polêmicos de uma forma que não agride o cristão, o homossexual, negro, branco, pardo, idiota e inteligente. Temos sempre a figura do cara bom e do mal, seja qual for sua escolha sexual ou espiritual. Assim como temos o mal que se transforma em “bem”, coloquei entre aspas, pois Stephen não transforma o mal em bem de forma simples, ele mostra o mal que é inerente ao ser humano, e utiliza para isso coisas simples e cotidianas, principalmente neste “Sob a Redoma”, o homem fazendo o seu pior, do cozinheiro ao líder político, gordos, magros, carecas, bêbados e drogados, todos tem sua pitada de maldade e bondade. Alguma apenas maldade.

 

Permitam-me chamar a obra de “Under de Dome”, como no original, acho que tem mais estilo e na TV a série esta sendo exibida com este título.

 

Vamos a história: Under the Dome narra a história de Chester´s Mill, uma cidade pequena no Maine, que tem sua rotina modifica quando um “redoma” simplesmente aparece, cercando a cidade por todos os lados, inclusive no céu e no subsolo, assim quem esta dentro não sai e quem esta fora não entra.

 

A partir dai Stephen narra às ações dos moradores e autoridades dentro da redoma e claro suas consequências, aliás, esta informação é importante, pois a redoma possibilita que a narrativa da história seja centrada em seu interior, então o mundo exterior torna-se também um mistério para quem lê nos dando uma boa experiência de imersão naquele pequeno eco sistema que a redoma acaba formando.

 

Entre o livro e a série existem muitas diferenças, é normal que isso ocorra, já que inúmeros acontecimentos do livro não teriam o mesmo efeito na tela, e a evidente necessidade de adaptação de mídias, da literatura para a tela, porém as discrepâncias entre as duas histórias, é tão grande, que prefiro assumir que são historias e enfoques diferentes, quem assiste a série da TV não esta acompanhando a mesma história do livro e vice e versa. Uma das grandes mudanças está na união de personagens, vários personagens do livro torna-se na série apenas um, assumindo suas funções, assim, diversos personagens que morrem logo no inicio do livro, ainda estão vivos no 13º episódio da série.

 

ATENÇÃO CONTÉM SPOILER DO LIVRO E DA SÉRIE

 

Algo importante a dizer é, assim como “The Walking Dead” não é uma série sobre os Zumbis, “Under the Dome” também não é uma história sobre a redoma. Digo isso por dois motivos, primeiro a redoma na realidade não é uma redoma, o livro indica que ela tem o formato da cidade Chester´s Mill, ou seja, em forma de bota. Além de ser côncavo, e não ter no subsolo uma parte circular, que fecha a cidade de forma completa. Para ilustrar, esta muito mais para um vidro de maionese fincado na areia até a metade. A (não) Redoma é tão profunda que se torna inviável penetrar pela terra.

 

A versão do livro que li é da editora Suma, conta com 951 páginas, para termos uma ideia, da diferença entre a série e o livro, uma personagem que na serie é colocada como uma possível futura governante da cidade, no livro é assassinada na terceira pagina. Alguns argumentos também foram mudados, e creio que auxiliaram para deixar a série bem inferior ao livro. Por exemplo, no livro não há chuva ou vento dentro da redoma, enquanto na série o clima parece não se alterar, os personagens até comentam sobre, mas a importância em 13º episódios da temporada é nula. Outra mudança que achei desnecessária, na série os moradores da cidade não conseguem ouvir quem esta fora da redoma, enquanto no livro eles conversão normalmente, e agora que terminei de ler o livro, fica evidente o porque da escolha do autor desta solução, o que me faz crer que a narrativa final da série não será como no livro o que acaba incomodando bastante e tornará a versão das telas mais rasa.

 

Temos que ter em mente que a literatura tende a detalhar mais os personagens e ambiente, ao passo que na TV existe a expectativa que um bom roteiro e que boas interpretações possam preencher esta diferença, mas infelizmente não consegui ter esta percepção. Com um elenco regular e interpretações dignas de um trabalho de educação artista de uma escola de primeiro grau, a série parece não se preocupar com os detalhes e são justamente, nesta história, os detalhes fazem muito a diferença. Toda narrativa final do livro que vai determinar o final da trava, esta permeada durante mais de 800 páginas, mas só percebemos quando chegarmos nas páginas finais. Mas não adianta pular direto para o final, a graça esta no todo da obra.

 

Talvez com a ansiedade e “hype” da série Breaking Bad, o ator “Dean Norris” foi escalado para fazer o papel de Big Jim, que em sua aparição, tanto no livro como na série já deixa bem claro quem é o vilão, bem a moda dos vilões de filmes da Sessão das Dez lá da década de 80. Ele aparenta muito com o personagem descrito no livro, porém não tem como não olhar para ele é lembrar-se de Breaking Bad, e ai além de tirar o espectador da história de Under the Dome, nos remete a alta qualidade de Breaking Bad e, como “Under de Dome” peca na produção e interpretação.

 

Ainda sobre a década de 80. Na extinta Sessão das Dez do SBT, tínhamos filmes como “Thunder, o homem trovão”, “Mercenários”, “Juventude Perdida” e tantos outros em que os personagens parem não estar neste plano terreno de realidade, e foi justamente este sentimento que tive ao ler “Under the Dome”, que o livro não se passa nesta época e sim no fim da década de 70 e inicio de 80. Pesquisando, descobri que Stephen King, realmente iniciou a escrita deste livro a muitos anos atrás, então conclui que por este motivo há um algo daquela época imputada na forma como ele narra a história.

 

Bom amados, fica ai a dica, um ótimo livro que narra as mazelas de nossa sociedade, sim o livro é muito atual, mesmo com esta forma de Stephen escrever. Se você quer saber o que causa a redoma, não se preocupe: a resposta esta no livro. Mas acredite, não importa quem, porque e pra que. Tanto isso é verdade que de 951 páginas, toda explicação esta diluída em 4 ou 5 páginas durante este mini saga. E no final, faça você uma reflexão de como você agiria caso estivesse em Chester´s Mill.

 

Opá, antes que eu esqueça. Minha opinião é: leia o livro e depois assista a série, a experiência será melhor. Eu assisti a série primeiro e por causa da pouca qualidade e forma fora de sequencia como está na TV, incomoda muito na hora de ler o livro.

 

Boa leitura

 

O Capitão

@sigaocapitao

 

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Devoto de São Marcos, O Marinheiro de Primeira viagem busca sempre dentro de um tom crítico e contestador encontrar a vontade e a verdade de Deus nas atitudes e palavras, ditas num púlpito ou não. Questionador por natureza sem nenhuma resposta que não as Escrituras que falam por si

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